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O Estado corporativo

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A gente costuma subdimencionar o tamanho do Estado brasileiro, deixando de fora da conta uma série de órgãos públicos supondo que se tratem, efetivamente, de órgãos privados. Os conselhos de classe são um importante exemplo disso. Nós os chamamos de órgãos de classe como se fossem associações privadas quando na verdade são órgãos públicos criados para regular determina profissão.

Na verdade nem mesmo os governos costumam estar cientes dos conselhos de classe e, ainda bem, não costumam utilizá-los como instrumentos de políticas públicas.  Isto, infelizmente, pode estar mudando.

Os planos do governo para importar médicos dependem, em seu núcleo, de que a máquina pública tenha a capacidade de restringir o direito de ir e vir dos estrangeiros residentes no país. O governo descobriu que dispõe desse instrumento nos conselhos de classe.

Uma das ideias é conferir aos médicos estrangeiros um CRM provisório, válido apenas para uma região ou até mesmo para uma cidade. Assim, sem a necessidade de qualquer lei ou regime de exceção, seria possível impedir que esses novos moradores do país desfrutassem do direito de se mudar.

Devo dizer que o mesmo expediente poderia com facilidade ser utilizado para definir em que cidade morarão também os brasileiros formados no Brasil, afinal entre nós não existe diferença (e deve ser assim mesmo) entre os direitos fundamentais dos brasileiros e dos residentes estrangeiros.

Nosso Estado é muito mais interventor do que muitos imaginam e eu receio dizer que parece que a Administração Federal está se dando conta disso.

Temos usado a política fiscal para controlar os índices de inflação e crescimento, usamos publicidade governamental para alterar os valores da população, usamos a política educacional para controlar a quantidade de profissionais no mercado e estamos nos preparando para começar a usar a política corporativa para controlar a distribuição demográfica.

Que tenham médicos estrangeiros, mas que tenham por sua livre iniciativa e que tenham aqui direitos iguais. Não lançamos mão de uma política corporativa. Coloquemos-nos a questão do risco que representam os Conselhos de classe enquanto órgãos públicos e o Governo como controlador de vidas e destinos.

Written by ndvo

29 junho 2013 at 7:32 am

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Cursos de medicina e médicos importados

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Qual é a da importação de médicos que o governo está propondo? Não vejo muita lógica nisso. O governo parece supor que o Brasil tem uma carência de médicos, e talvez nisso tenha até razão, mas a não ser que eu esteja completamente louco não há uma sala de aula nesse país em que não tenhamos um considerável grupo de alunos que querem fazer medicina.

O curso de medicina costuma ser o mais concorrido em praticamente qualquer vestibular e muitas famílias estão dispostas a arcar com uma mensalidade de mais de R$ 4.000,00 mensais (mesmo que seja por meio de financiamento) só para ver seus filhos se formarem em medicina. Como raios, então, podem estar faltando médicos?

A resposta é simples. A abertura de cursos de medicina é condicionada à aprovação do Ministério da Educação.

Pois bem, nosso governo entende que a abertura de cursos de medicina só pode acontecer em regiões em que haja de fato carência de médicos e em instituições que possam atender uma série de critérios estabelecidos pelo MEC. De fato, tais critérios supõem que quem sabe onde devem haver médicos é a máquina pública.

Médicos estrangeiros, por razões óbvias, não se formaram em regiões brasileiras que têm carência de médicos. Se é possível importar médicos de outros países, então porque não é possível importar médicos do sudeste? Além disso esses médicos, por razões ainda ridiculamente óbvias, não se formaram em instituições que foram fiscalizadas pelo Ministério da Educação ou da Saúde. Se podemos confiar na qualidade de instituições estrangeiras (privadas ou públicas) por que não podemos confiar na qualidade de instituições brasileiras?

Por que raios o mesmo governo quer restringir a oferta de vagas em cursos de medicina nos grandes centros (onde os cursos conseguem ter economia de escala e oferecer cursos de melhor qualidade) e ao mesmo tempo quer trazer médicos formados em outros países. Uma política muito boba, me parece.

Há ainda outro problema sério. Não há ninguém proibindo os médicos estrangeiros de virem trabalhar no Brasil. Quem quiser que venha. O Brasil não é exatamente um país no qual é tão difícil conseguir um visto. O que raios o governo quer dizer, então, com trazer médicos de fora? Vamos pagar suas passagens? Vamos validar automaticamente seus diplomas? Vamos pagar subsídios?

Seja lá qual for o subsídio, isso poderia perfeitamente ser substituído com uma redução das complexificações introduzidas pela máquina pública para a formação de médicos.

Deixem abrir mais faculdades, deixem abrir mais vagas nos cursos existentes, deixem que se formem em medicina todos aqueles que sonham com essa profissão. Temos candidatos de sobra, mas temos a máquina pública (da qual o CFM e os CRM são parte) que fica emperrando.

Não deve o Estado importar médicos e também não deve impedir que venham. Não deve o Estado impedir que os médicos se formem e nem ficar fomentando a formação de médicos. Esta é uma profissão tanto nobre quanto rentável e não é necessário qualquer estímulo além de salvar vidas e ganhar dinheiro para fazer com que as pessoas cursem medicina.

Este é simplesmente um exemplo de como o governo cria dificuldades para depois tentar nos convencer de que é responsável pela redução das mesmas dificuldades que ele criou.

Dia desses encontrei uma notícia que espero realmente que não seja a razão para a importação de médicos. O PT, em 2006, firmou um acordo com Cuba para enviar estudantes brasileiros para lá. Passados cinco anos do início do estudo desses estudantes na ilha, em com esse papo de importar médicos de Cuba. Espero que seja coincidência, mas mesmo que seja coincidência aqueles que tem vida pública, especialmente partidos políticos, devem resguardar sua imagem. Não basta ser honesto (o que infelizmente não acredito que nossos políticos sejam) é preciso também parecer honesto (o que de fato não parecem).

Written by ndvo

28 junho 2013 at 10:46 am

Leishmaniose

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A portaria interministerial nº 1426 de julho de 2008 proíbe a utilização de medicamentos de uso humano para o tratamento da Leishmaniose em cães.

Não sei o motivo disso. Talvez o Ministério da Saúde acredite que ao aumentar a demanda se reduza a oferta, o que é simplesmente infantil.

Outra possibilidade é que o Ministério considere que não vale a pena tratar os cães e que os donos dos animais não têm o direito de utilizar seu dinheiro para seus próprios propósitos.

Seja como for, o fato é que é possível tratar cães com a doença e, aparentemente, é possível inclusive evitar que ele se torne um reservatório da doença.

http://www.anda.jor.br/21/11/2010/verdades-e-mentiras-sobre-a-leishmaniose-canina

Já tive notícias de vários animais sacrificados porque um animal vizinho foi diagnosticado com a doença.

Com a desculpa de que “é só um animal de estimação” sacrificam-se os membros mais queridos de muitas famílias. Lamento, Ministério da Saúde, mas não cabe a você decidir quem merece tratamento e quem não merece, especialmente quando estamos falando de tratamento pago com recursos privados.

 

Written by ndvo

11 junho 2013 at 5:11 pm

Publicado em Administração Pública

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Corretor ortográfico nativo do vim

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Eu não negligencio a importância de se utilizar um mesmo corretor ortográfico para todas as aplicações, mas ainda não me dediquei nada a descobrir como fazer isso.

Por enquanto eu quero somente usar o corretor ortográfico do vim normalmente.

Fazer isso é simples, basta executar, já no vim, os seguintes comandos:

  1. :set spelllang=pt_BR
  2. :set spell

O vim vai te perguntar se você quer que ele crie as pastas e arquivos necessários e se você quer que ele baixe os dicionários para fazer a correção.

A cada vez que você quiser utilizar o corretor, bastará usar o set spell ou, se assim desejar, incluir no .vimrc para manter a correção ortográfica permanente.

Dito isso, você provavelmente também vai querer saber os seguintes comandos (no modo de comando):

  • ]s — ir para a próxima palavra errada;
  • [s — voltar para a palavra errada anterior;
  • zg — adicionar a palavra sob o cursor ao dicionário;
  • zug — desfazer a adição;
  • z= — ver sugestões de correção para esta palavra;

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05 junho 2013 at 7:20 pm

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Como nasce uma prioridade

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Às seis e meia da tarde toca o telefone do técnico. No meio do trânsito ele atende e ouve seu chefe aos berros pedindo que volte porque chegou uma demanda urgente para criar uma nova caixa de emails.

No caminho de volta para o trabalho ele pensa sobre como nasce uma prioridade louca dessas. Os cenários mais mirabolantes passam em sua cabeça: talvez um novo programa governamental tenha sido criado e a demanda para a criação da caixa corporativa tenha se perdido em alguma gaveta… ou talvez tenha ocorrido algum tipo de acidente ou sei lá.

Vejamos então, com base em uma história real, como nasce uma prioridade:

Passo 1 – Acontece uma reunião

Não importa o objetivo da reunião, afinal as pessoas que se reunem o fazem porque não tem nenhum trabalho a fazer senão pensar em repassar algum trabalho para alguém. Ocorre que pensar nisso seria um trabalho, mas na reunião podemos empurrar esse trabalho para outra pessoa. Seja como for, durante uma reunião alguém pensa que é melhor ter alguma ideia para impressionar algum chefe. Após algum esforço, surge uma ideia revolucionária capaz de alterar completamente a sociedade contemporânea: vamos mandar um e-mail.

Todos ficam alvoroçados com o brilhantismo e começam a construir em cima da ideia.

Alguém pergunta:
_Quando?
Outro responde:
_Quanto antes melhor!
Alguém pergunta:
_Quem manda o email?

A ideia triunfal apresenta seu primeiro furo. Se eu mandar um email alguém pode acabar respondendo. Precisamos de uma caixa corporativa, assim mesmo que respondam não precisaremos ler.
_É isso! Vamos criar uma caixa corporativa!

Passo 2 – Mande alguém fazer alguma coisa

Já temos uma tarefa adequadamente trivial e perfeitamente desprovida de propósitos. Agora vamos atribuí-la a alguém, preferencialmente alguém que esteja bastante atarefado, ou seja, algum técnico que esteja acostumado a lidar com questões urgentes como criar caixas de email ou preencher formulários eletrônicos. Só tem um probleminha. Ele pode dizer que está ocupado.
_Mas nossa demanda é urgente.
_Urgente por que?
_Trata-se de um sistema corporativo essencial para a continuidade de nosso negócio.
_Essencial? Continuidade? Como essas palavras podem se encaixar na mesma frase da palavra “urgente”?

Vamos ter de ligar para a chefia.

Passo 3 – Mande o chefe de alguém mandar ele fazer a coisa

Esses técnicos desprovidos de sensibilidade estratégica bloqueiam burocraticamente a tomada de decisões e ações de forma ágil. Vamos recorrer à hierarquia.
_Estou precisando criar uma caixa de email.
_Vou providenciar!
_Seu técnico disse que estava ocupado.
_Faremos todo o possível, ele não tem adequada noção da importância da demanda.

“Ótimo”, pensa o chefe, “eu estava precisando mesmo mostrar que sou superior na hierarquia por aqui.”

Passo 4 – Insista irresponsavelmente na demanda

O técnico liga para o prestador de serviços e pede que eles criem a nova caixa de emails. O telefone toca. É o chefe cobrando.
_Ainda não tenho nem o protocolo… Não, senhor, há um prazo contratual… Não, senhor, estamos fazendo o possível.

O chefe então liga para o chefe do prestador de serviços que, ciente da importância de se mostrar superior hierarquicamente a seu técnico, o encontra via celular no trânsito e o faz voltar para o expediente.

Passo 5 – Frustração

Feito o serviço o técnico do prestador liga para seu chefe para avisar que o serviço foi concluído. Não conseguindo falar, liga para o técnico do demandante. Apressado, ele liga para seu chefe para avisar que o serviço foi feito. Não conseguindo falar, liga para o demandante. Ninguém atende… Insiste-se. Ninguém atende…

Written by ndvo

23 maio 2013 at 5:35 pm

Impedir que usuários listem as tabelas de bancos aos quais não tem permissão no Postgre

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Uma dica despretensiosa para quem por acaso tiver exatamente o mesmo problema que eu:

Problema: Impedir que usuários não autorizados sejam capazes de ver as tabelas de um banco de dados no PgAdmin3

Solução:

  1. Acesse o psql;
  2. Revogue as permissões públicas do banco.
    1. Supondo que o nome do seu banco é meubanco, execute o comando abaixo:
    • REVOKE ALL PRIVILEGES ON DATABASE meubanco FROM PUBLIC;

Written by ndvo

23 maio 2013 at 1:45 pm

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Batman

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O Brasil está ganhando sua própria versão do Batman: o Joaquim Barbosa.
Nada de artes marciais ou Batmóvel, mas temos a capa preta e uma pessoa poderosa que está disposta a enfrentar os chefões do crime.

Nosso principal crime é, é claro, a corrupção e incompetência e ninguém melhor para fazer o papel de Batman do que alguém que conheça e seja capaz de enfrentar os crimes do colarinho branco.

Joaquim Barbosa tem aparecido constantemente na mídia, sempre envolvido em algum conflito, adotando posturas firmes e duras e, o mais importante, ele está normalmente do lado certo!

Do lado contrário temos juizes querendo mais cargos, políticos querendo menos fiscalização e deputados querendo mais bagunça.

Written by ndvo

23 maio 2013 at 10:59 am

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