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Como se mede a produtividade do setor público?
Ouvi nos últimos dias muitos comentários sobre um estudo do IPEA segundo o qual o setor público brasileiro seria mais produtivo do que o privado. Fiquei embasbacado e muito curioso. Eu não ficaria admirado se lesse que os burocratas trabalham muito. Sei que alguns trabalham mesmo, mas produtividade? Como assim produtividade?!
Passada a confusão mental por ouvir as palavras “produtividade” e “setor público” juntas, ficou a pergunta: como diabos eles mediram a produtividade do setor público? Eu mal sei como medir a produtividade de uma única escola pública, de um único posto policial, que dirá do setor público inteiro? E depois, como se compara a produtividade do setor público com a do setor privado? Encontrei o tal “estudo” ou, na verdade, um “comunicado” da presidência do IPEA.
No documento, o IPEA afirma que a produtividade no setor público se mede pelo montante de recursos gastos dividido pelo número dos funcionários públicos. Dá pra acreditar? E ainda fala que se trata de algo complexo. Não estou de sacanagem, é isso mesmo, deste jeito, na mais absoluta cara de pau. Em nenhum momento o estudo menciona a possibilidade de medir a produtividade do setor público pelas notas dos alunos em exames independentes, pela redução do número de óbitos no trânsito ou pelo tempo que demoram os processos nos tribunais. Nenhuma palavrinha sobre serviços ao cidadão. Nada, absolutamente nada.
Sem qualquer pretensão eleitoreira, o “estudo” afirma que os estados que fizeram choque de gestão acabaram por reduzir sua produtividade, ou seja, passaram a ter mais funcionários por real gasto.
Esta “produtividade” do setor público é mais uma peça de ficção. Nisto, aliás, o serviço público é prógigo. A mais cara e bem qualificada mão de obra do serviço público e do brasil está ocupada em ficções. Um Analista de Planejamento e Orçamento, por exemplo, começa sua carreira ganhando mais de R$ 10.000,00. Centenas deles juntos conseguem elaborar uma peça de ficção por ano: o Plano Pluri Anual. Outras centenas de Auditores do TCU, levando mais de R$ 14.000,00 mensais, elaboram outros tantos romances medonhos, intiludados todos “Relatório de Auditoria”. Os gestores fingem que seguem a lei 8.666, uma espécie de paródia do apocalipse que narra eventos que deveriam ter ocorrido há muito tempo, mas nos quais ninguém acredita e, depois, empenham todos os seus esforços em obras muito criativas, chamadas de relatórios de prestação de contas. É claro que mesmo assim o Paulo Coelho sozinho é comparável a Ministérios inteiros.
Eu, de minha parte, sou um completo imbecil, afinal, li o texto. Que ingenuidade! Que tolice! Como pude pensar que um estudo elaborado pelo setor público teria, de fato, produzido alguma coisa??
O texto é mal escrito e tolo, mas quem não quer acreditar ou tiver tempo de sobra (provavelmente porque é um produtivo funcionário público), aqui está um link para o documento do IPEA: Produtividade no Setor Público segundo o IPEA
Férias
Os burocratas que conheço não gostam muito de tirar férias. Sempre estão no Ministério quando, segundo os registros formais deveriam estar de férias. Também não gostam de trabalhar, já que por vezes estão ausentes quando as registros formais alegam estar trabalhando. Leia o resto deste post »