Archive for Agosto 2009
Como se mede a produtividade do setor público?
Ouvi nos últimos dias muitos comentários sobre um estudo do IPEA segundo o qual o setor público brasileiro seria mais produtivo do que o privado. Fiquei embasbacado e muito curioso. Eu não ficaria admirado se lesse que os burocratas trabalham muito. Sei que alguns trabalham mesmo, mas produtividade? Como assim produtividade?!
Passada a confusão mental por ouvir as palavras “produtividade” e “setor público” juntas, ficou a pergunta: como diabos eles mediram a produtividade do setor público? Eu mal sei como medir a produtividade de uma única escola pública, de um único posto policial, que dirá do setor público inteiro? E depois, como se compara a produtividade do setor público com a do setor privado? Encontrei o tal “estudo” ou, na verdade, um “comunicado” da presidência do IPEA.
No documento, o IPEA afirma que a produtividade no setor público se mede pelo montante de recursos gastos dividido pelo número dos funcionários públicos. Dá pra acreditar? E ainda fala que se trata de algo complexo. Não estou de sacanagem, é isso mesmo, deste jeito, na mais absoluta cara de pau. Em nenhum momento o estudo menciona a possibilidade de medir a produtividade do setor público pelas notas dos alunos em exames independentes, pela redução do número de óbitos no trânsito ou pelo tempo que demoram os processos nos tribunais. Nenhuma palavrinha sobre serviços ao cidadão. Nada, absolutamente nada.
Sem qualquer pretensão eleitoreira, o “estudo” afirma que os estados que fizeram choque de gestão acabaram por reduzir sua produtividade, ou seja, passaram a ter mais funcionários por real gasto.
Esta “produtividade” do setor público é mais uma peça de ficção. Nisto, aliás, o serviço público é prógigo. A mais cara e bem qualificada mão de obra do serviço público e do brasil está ocupada em ficções. Um Analista de Planejamento e Orçamento, por exemplo, começa sua carreira ganhando mais de R$ 10.000,00. Centenas deles juntos conseguem elaborar uma peça de ficção por ano: o Plano Pluri Anual. Outras centenas de Auditores do TCU, levando mais de R$ 14.000,00 mensais, elaboram outros tantos romances medonhos, intiludados todos “Relatório de Auditoria”. Os gestores fingem que seguem a lei 8.666, uma espécie de paródia do apocalipse que narra eventos que deveriam ter ocorrido há muito tempo, mas nos quais ninguém acredita e, depois, empenham todos os seus esforços em obras muito criativas, chamadas de relatórios de prestação de contas. É claro que mesmo assim o Paulo Coelho sozinho é comparável a Ministérios inteiros.
Eu, de minha parte, sou um completo imbecil, afinal, li o texto. Que ingenuidade! Que tolice! Como pude pensar que um estudo elaborado pelo setor público teria, de fato, produzido alguma coisa??
O texto é mal escrito e tolo, mas quem não quer acreditar ou tiver tempo de sobra (provavelmente porque é um produtivo funcionário público), aqui está um link para o documento do IPEA: Produtividade no Setor Público segundo o IPEA
Não bastam computadores mais rápidos
Computadores mais rápidos e ferramentas mais eficientes ajudam a desenvolver melhor trabalhos, estudos e até hobbies. Acontece que meu maior gargalo para fazer tudo o que eu quero já não é meu computador, mas minhas próprias habilidades. Verdade seja dita: eu, mais do que meu pc, preciso de um upgrade. De que me adianta ter a disposição mais livros, documentários, filmes, softwares, etc, se já atingi meu limite e meu dia é completamente ocupado por tarefas rotineiras que não incluem tempo para aprender qualquer coisa nova?
Esta é uma questão que me incomoda bastante. Vá lá que seja importante ter um computador mais rápido, mas se eu digitar, ler, desenhar, organizar, etc, na mesma velocidade, não será de tanta valia.
Um senhor escreveu em seu blog algumas coisas que faz para ganhar tempo, tais como deixar a TV de lado e ler os emails apenas uma vez ao dia. Boas dicas, devo dizer, mas poderíamos acrescentar muitas mais. Um outro leitor daquele blog, de fato, acrescentou: sugeriu que, de quando em quando se procure conhecer novas ferramentas, pois mesmo até melhor faca do chefe de cozinha envelhece. Bem, segue uma versão “traduzida” de forma muito livre (e com acréscimos) do texto dele. O blog é: www.thesecondcycle.com/?p=22#comments
- Raramente vejo TV. Ler RSS, ver e ouvir Podcasts é muito mais prático. Nisto ferramentas como o Gpodder e o Miro (www.getmiro.com) podem ajudar;
- Andar de coletivo pode ser uma boa oportunidade para ler, mas isso certamente não vale para minha cidade. Aqui prefiro andar de moto. De qualquer modo, se estiver preso em um carro, sugiro baixar audiobooks e documentários da internet e ouvir no trânsito. Posso sugerir aqui os documentários da BBC e o podcast do The Naked Scientist;
- Verificar os emails uma vez por dia (ou duas) pode ser uma boa idéia para não ficar sendo interrompido o tempo todo;
- Evitar conferências e reuniões, que sinceramente costumam ser ridiculamente improdutivas. Assino embaixo da sugestão de assistir de quando em quando a alguns vídeos do www.ted.com, mas para isso o Miro deve servir;
- Evitar o acúmulo de papel também é uma boa. Se um trem não é suficientemente importante para eu resolver agora nem sequer para registrar em um sistema informatizado, como meu DS Organize ou qualquer coisa parecida, simplesmente não é suficientemente importante. Ler coisas na tela, de fato, pode ser muito útil (viva o Ctrl+F e o Ctr+C)
- Gostei muito da sugestão de rejeitar reuniões e eventos que não sejam nem importantes nem divertidos mesmo que não se tenha qualquer outro compromisso. Afinal de contas, por que aceitar?
- Buscar formas de ler mais rápido é algo sempre interessante;
- Gastar um tempinho fuçando o synaptic e a internet por novos softwares para fazer as mesmas tarefas pode ser uma boa idéia. De quando em quando tenho uma agradável surpresa;
- Trocar as disposições do teclado também me foi uma coisa muito boa, acabando com meu problema de DORT e, ao mesmo tempo, acelerando a velocidade da digitação;
- Esta eu coloco por conta própria: aprenda a programar e a lidar com o terminal. É possível executar tarefas maçantes em um tempo estrondosamente mais rápido escrevendo umas poucas linhas de código.