Férias
Os burocratas que conheço não gostam muito de tirar férias. Sempre estão no Ministério quando, segundo os registros formais deveriam estar de férias. Também não gostam de trabalhar, já que por vezes estão ausentes quando as registros formais alegam estar trabalhando.
Segundo eles é melhor tirar as férias informalmente, já que isso garante a eles flexibilidade. Muita flexibilidade. Um colega me explicava, em tom de professor, que tira suas férias aos poucos. Elas começam na segunda e terminam na sexta. Isso quando não há um feriado prolongado. Neste caso as férias podem ser de apenas um dia, na segunda, entre o domingo e a terça feriado. A folga, porém, confunde o servidor, que resolve sair de férias novamente na quarta, mas só até sexta.
Muita flexibilidade. O burocrata afirma, orgulhoso, que sua metodologia lhe rendeu no ano anterior, no total, períodos de afastamento no total de 52 dias. Brilhante. Tão brilhante que não é idéia nova. Aliás, não só não é nova como é proibido. Ninguém parece ligar para isso. Na sala dele há um grande calendário pregado na parede com as iniciais de cada um dos funcionários preenchendo dias úteis apenas. Segundo ele ninguém seria capaz de saber do que se trata. Devo ser mesmo muito inteligente porque acertei no primeiro palpite.
O gerente tem seus dias corridos. Estaria certo se fosse um funcionário, mas é um gerente e, enquanto tal, responsável pela vida cômoda que caracteriza aquele cantinho da Vogosfera.
Burocratas
É bem verdade que “se distribuíssem os salários dos burocratas aos necessitados o dinheiro seria melhor aproveitado”.
O problema é que para fazer isso eles criaram mais burocratas. Uns para decidir quem é necessitado, outros para arrecadar mais dinheiros para os necessitados, mais alguns para ver se os necessitados efetivamente recebiam o dinheiro, outros para gerenciar toda essa tralha, mais alguns para contratar mais burocratas para fazer essas coisas, outros para justificar tudo isso perante a imprensa e órgãos de controle e tantos mais para fiscalizar se está tudo indo direitinho. (mais…)
Teclado Nativo Br

Tem certas coisas no mundo que são muito imbecis e ninguém parece se importar. O trânsito é por exemplo. Centenas de milhares de pessoas ficam paradas uma atrás da outra para tentar chegar a um mesmo lugar só para fazer um serviço que poderiam muito bem fazer onde estavam antes.
Bem, outra coisa estúpida é o layout dos teclados dos computadores. Eles simplesmente não seguem qualquer regra de ergonomia ou alfabética que fosse. Seguem, aliás, alguns princípios misteriosos destinados a aperfeiçoar a datilografia em antiguidades do século passado.
Eu não posso fazer muito sobre o trânsito. Andar de moto, bicicleta ou transporte coletivo é a maior contribuição que posso dar e, sinceramente, não melhora muito as coisas pro meu lado.
Quanto ao teclado eu posso fazer alguma coisa. O teclado Nativo.br foi desenvolvido para maximizar o conforto durante a digitação para quem escreve em português do Brasil. Por uma curiosa coincidência do destino eu digito em português do Brasil. Então resolvi aprender a digitar com esse tal de nativo.br.
Bem, não sou nenhum especialista em ergonomia, mas o fato é que o teclado qwerty alega ter sido desenvolvido para relíquias do século passado em outro idioma. O nativo-br alega ser desenvolvido para computadores e no meu idioma.
Além disso o Nativo.br deixa claros os princípios que usou. Assim, se algum especialista quiser, pode contestar. Também deiha claro o que considera ser a frequência de uso das teclas. Alguém pode até contestar a freqüência alegada, mas ao menos ela está ali para todo mundo ver.
O fato é que com algum esforço (nem de longe desprezível) eu aprendi a lidar com o nativo-br. Este é o primeiro post que digito nele. Ainda não estou completamente familiarizado e de quando em quando erro a tecla por confundir com o teclado antigo. Apesar disso a melhoria é sensível. É muito fácil digitar os acentos e dificilmente eu mexo o dedinho da mão esquerda, que fica quase que exclusivamente por conta do “i”. Os punhos se movimentam menos, o que é realmente muito bom.
Não sei dizer se esse é o melhor teclado possível para brasileiros, mas certamente é muito melhor do que a velharia que eu usava antes e que, com muita probabilidade, você está usando agora.
Editando PDF no Ubuntu
Um artigo interessante para quem precisa editar PDFs no Ubuntu. Nele você aprende a editar informações, grifar e marcar textos e editar informações meta de PDFs.
fonte: http://www.linhouse.com.br/node/439
Reproduzo o texto do artigo abaixo: (mais…)
Flash para firefox em Ubuntu 64
Eu utilizo o Ubuntu 64 há algum tempo e nunca tive ânimo pra descobrir como fazer com que o plugin para Flash funcionasse. Hoje (19 de abril) resolvi finalmente fazer a gambiarra de instalar o firefox 32 bits para a coisa começar a funcionar.
Só que um problema bem sério afetou meus planos. A versão para 64 bits agora funciona perfeitamente bem. Tentei entrar em uma série de sites feitos com Flash e simplesmente funcionou tudo com o firefox 64 mesmo.
Testei tanto no Ubuntu Gutsy quanto no Hardy (firefox 2 e 3) e está tudo ok.
Portanto, se era só isso que você aguardava para começar a utilizar a versão 64 de sua distribuição Linux favorita, a hora chegou.
Para instalar o flash, simplesmente acesse qualquer site feito em flash e siga as instruções.
Elementos de Antropologia Filosófica em Émile Durkheim
O que distingue o homem dos animais? Durkheim poderia confortavelmente responder: “nada”. Este autor, de influências positivistas, chega a afirmar explicitamente que não há distinção entre homens e animais a não ser de grau. Veremos, no entanto, que, apesar de ver o ser humano como um animal entre outros, Durkheim ainda assim lhe confere um lugar elevado em uma hierarquia valorativa. O indivíduo humano é, ainda aqui, valioso, apenas com a diferença de que tal valor decorre de características que lhe são emprestadas pela sociedade, não de características imanentes ao indivíduo. (mais…)
Elementos de Antropologia Filosófica em Karl Marx
O que distingue o homem dos animais? Apesar do cientificismo característico da obra de Marx sua resposta a essa é dada em termos filosóficos. Há uma resposta que todo leitor de Marx, ou ao menos todo marxista, daria de cor: a produção de seus meios de subsistência, o trabalho. Há, porém, outra resposta em Marx que parece ser mais consistente com sua obra, pois perpassa toda ela. É uma resposta que envolve questões normativas e ontológicas. O homem, para Marx, é intrinsecamente valioso. Marx neste sentido é um iluminista que acredita no valor e na razão da humanidade. O ser humano, para ele, não é apenas diferente, é algo mais que um carneiro ou baleia, é algo bom. O trabalho não distingue os homens dos animais, apenas manifesta a distinção. O trabalho é o meio pelo qual tal caráter valioso se revela. (mais…)
Elementos de Antropologia Filosófica
Nesta série de posts vou publicar um trabalho sobre “antropologia filosófica” que elaborei uns anos atrás.
Por “antropologia filosófica” entendo um conjunto de crenças ou idéias tanto normativas quanto descritivas sobre o que é o ser humano.
A idéia não é descobrir o que o ser humano é, nem nada do gênero. Quando escrevi o trabalho pretendia mostrar que as crenças valorativas sobre o ser humano que alguns autores importantes teimam em sustentar podem prejudicar suas teorias ou obras. Também pretendia mostrar que isto não é inevitável e que alguns autores assumem crenças menos valorativas sobre o ser humano ou ao menos permitem que suas obras independem de suas crenças valorativas.Na verdade me incomoda ouvir tantos professores e pesquisadores afirmarem constantemente que todo o conhecimento é necessariamente eivado de valor, com a conseqüente dedução de que é inútil tentar construir conhecimento neutro. O que fiz foi estudar a obra de alguns autores importantes e buscar ali tanto suas crenças acerca da “natureza humana” quanto as conseqüências delas para suas teorias. (mais…)
Migração para Software Livre 6 - Estudo de Caso: Migração no Governo Federal
A utilização do Software Livre é muito mais do que uma escolha técnica para muitos dos atores envolvidos. Qualquer iniciativa acerca de software livre pode render diversas oportunidades de visibilidade na mídia especializada ou não. Tome-se como exemplo o projeto CACIC: trata-se de um programa desenvolvido pelo governo federal para fazer um inventário de seu parque de hardware e software. O projeto, segundo a equipe que o desenvolve, conta com a colaboração de mais de 40 órgãos, já foi apresentado em diversos eventos, encontros e seminários, mereceu as páginas de diversas revistas físicas e eletrônicas e é comentado em inúmeros sites e blogs. Ele está na mídia especializada desde 2004.1 O que o projeto até o momento não fez foi um inventário do hardware e software do governo federal.
O simples fato de que alguém está fazendo ou até mesmo pretende fazer algo utilizando ou a respeito de software livre já merece cobertura midiática. A recompensa em termos de visibilidade para o político que se envolve nessa área é simplesmente imediata. Internacionalmente o Brasil chegou a ser visto como uma espécie de oasis de softwares livres graças a umas poucas linhas escritas no programa de governo do então candidato à presidência Luis Inácio Lula da Silva. Esta não é, obviamente, uma característica exclusiva da junção de software livre e política, mas ela é aqui bem acentuada.
A própria dinâmica do software livre facilita esta potencialização dos ganhos políticos em termos de cobertura midiática e visibilidade. Ocorre que o desenvolvimento do software livre se dá de uma forma fortemente transparente, de modo que diversas versões de testes são lançadas antes de que uma versão final de um determinado aplicativo possa ser disponibilizada. A cada nova versão beta publicada tem-se a oportunidade de visibilidade na mídia especializada.
Observa-se, porém, mais alarde do que alterações no cenário da utilização de software livre no Brasil. Isto é verdade não apenas para a utilização de software livre pela sociedade em geral e também não apenas para os burocratas ordinários da Esplanada dos Ministérios, mas também para os funcionários e servidores da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, órgão responsável por gerenciar os recursos de informação e informática do governo federal e cujos membros aparecem constantemente na mídia especializada tratando de assuntos relativos à utilização de software livre e seus benefícios. (mais…)
Migração para Software Livre 5 - Motivações para utilizar software livre
É interessante notar que no discurso (na fala, nos artigos, nas listas de discussão, etc) dos membros da comunidade software livre, sejam usuários ou desenvolvedores, está sempre presente a alegação de que o custo não é a principal vantagem desta tecnologia. A pesquisa FLOSS buscou identificar as principais motivações dos atores que utilizam SL na europa. Como é sabido que profissionais de TI têm maior tendência a utilizar software livre que o conjunto dos usuários e esta pesquisa questiona os profissionais de TI das empresas entrevistadas é de se esperar que determinadas questões técnicas tenham maior peso do que teriam para o conjunto da população. Isto, por outro lado, pode ser lido como indício de que a qualidade destes produtos não deixa a desejar, uma vez que os profissionais da área os recomendam.
O quadro abaixo mostra os principais motivos listados pelas empresas entrevistadas para utilizar software livre.
